Eugênio de Melo e as ferrovias



Eugênio de Melo e as ferrovias
23°08'37.98"S 45°46'44.28"W

O Distrito de Eugênio de Melo esta localizado na zona leste de São José dos Campos e é altamente industrializado. Região de grande crescimento da cidade, está conurbando-se ao município de Caçapava. Concentra grandes indústrias de São José dos Campos como a General Motors, Complexo Empresarial - Ericsson, Heatcraft, Embraer, Orinon, o Ceagesp e o Nucleo do Parque Tecnológico, entre outras pequenas e médias empresas industriais e comerciais.

Histórico

Eugênio de Melo, com 96 Km² de área, apresenta algumas peculiaridades no cenário joseense. Esta região teve no final do século XIX um papel importante na economia do município. Isto porque, do local, eram exportados grandes quantidades de café, cultivados na região. Este fato deu origem a Vila que recebeu a denominação de Nossa Senhora dos Cafezais, levando a construção de uma Estação Ferroviária inaugurada a 28 de agosto de 1877, para viabilizar as exportações.
O povoado passou uma série de dificuldades, como a geada ocorrida por volta de 1881, que destruiu 60% dos cafezais. Este acontecimento provocou a substituição gradual da cafeicultura por outras lavouras. Eugênio de Melo passa por um período de crescimento econômico, ao ser construída a Estrada de Rodagem Rio/São Paulo em 1924, que por cortar sua área urbana beneficiou o comércio local. Essa nova via de acesso trouxe uma maior mobilidade à população, através das linhas de ônibus, que puderam ser criadas vindas de cidades vizinhas em direção a São José dos Campos. É neste quadro de aparente estabilidade que foi criado o Distrito de Eugênio de Melo, por meio do Decreto Estadual 6.638 de 31 de agosto de 1934, o que de certa forma possibilitou um melhor atendimento por parte da administração municipal, às reivindicações da população do local.

Da época cafeeira em Eugênio de Melo, restam ainda alguns Patrimônios Históricos como a Estação Ferroviária e a Sede da Fazenda Galo Branco. O processo de industrialização por que passou São José dos Campos, também refletiu em Eugênio de Melo quando, já a partir da década de 60 começaram a se instalar no Distrito as primeiras indústrias. Estas além de ampliar o mercado de trabalho, também fizeram brotar a necessidade de mais infra-estrutura e equipamentos para uma população que, cada vez mais, assume aspectos urbanos. Esses fatores fizeram com que o Distrito muito perdesse de suas características iniciais.

Curiosidades sobre o desenvolvimento de São José dos Campos

As estradas de ferro se constituíram em importante melhoria nos sistemas de transporte do país, promovendo crescimento econômico e expansão da malha urbana, ao longo do se traçado. Em São José dos Campos esta influência se fez sentir, embora de maneira diversa à ocorrida na maioria das cidades do Vale do Paraíba.

O crescimento de São José não ocorreu em torno do chamado Complexo Cafeeiro. Embora o café fosse a principal atividade econômica do município, este alcançou somente níveis modestos de produção, em relação a outras cidades valeparaibanas. Mesmo com a chegada do sistema ferroviário em 1886, este quadro urbano não sofreu grandes modificações. Porém, as estradas de ferro promoveram uma melhoria nos sistema de transporte de cargas e passageiros, seguido de um crescimento do comércio local. Na chamada fase sanatorial (1900-1965), funcionou como elemento facilitador da chegada de doentes, técnicos e equipamentos, fortalecendo os profissionais e atividades voltadas para este fim (sanatórios, pensões, médicos, enfermeiros, etc.). Nos primórdios do processo de industrialização, favoreceu as transações comerciais, pois ligava as duas grandes capitais (São Paulo e Rio de Janeiro) com esta região.

O sistema ferroviário constituiu-se num processo de aperfeiçoamento e modernização dos sistemas de transporte, quando de sua criação, até meados do século XX. Como tal, trouxe maior contato entre as cidades, facilitando os processos migratórios e consequentemente, promoveu crescimento populacional e formação de novos focos de povoamento em torno das estações. Sérgio Milliet, em seu livro “O Roteiro de Café e outros ensaios” demonstrou que existem dois tipos de povoamento na região, em face do ciclo ferroviário.

O primeiro tipo foram povoamentos que se desenvolveram a partir de aldeamentos indígenas, anteriores à chegada das linhas férreas, que irão definir o desenho da malha ferroviária, em torno de suas manchas urbanas.

O segundo tipo foram os aldeamentos posteriores à chegada das Companhias Ferroviárias, se constituindo e crescendo em torno das estações ferroviárias, estas últimas construídas para a manutenção dos trens ou transporte de cargas das áreas rurais.

Esse processo pôde ser verificado em São José dos Campos, pois nas regiões onde foram construídas, induziram a formação e o crescimento de bairros e um distrito: Estação Limoeiro (Bairro do Limoeiro), Estação Ferroviária de São José dos Campos (Bairro de Santana), Estação Ferroviária Eng. Martins Guimarães (Bairro Martins Guimarães) e Estação Ferroviária Eugênio de Melo (Distrito de Eugênio de Melo).

A Estação Ferroviária Eugênio de Melo

Em 1869, foi constituída por fazendeiros do Vale do Paraíba a E. F. do Norte (ou E. F. São Paulo-Rio), que abriu o primeiro trecho, saindo da linha da S.P.R. no Brás, em São Paulo, e chegando até a Penha. Em 12/05/1877, chegou a Cachoeira (Paulista), onde, com bitola métrica, encontrou-se com a E.F. Dom Pedro II, que vinha do Rio de Janeiro e pertencia ao Governo Imperial, constituída em 1855 e com o ramal, que saía do tronco em Barra do Piraí, Província do Rio, atingindo Cachoeira no terminal navegável dois anos antes e com bitola larga (1,60m). A inauguração oficial do encontro entre as duas ferrovias se deu em 8/7/1877, com festas. As cidades da linha se desenvolveram, e as que eram prósperas e ficaram fora dela viraram as "Cidades Mortas". O custo da baldeação em Cachoeira era alto, onerando os fretes e foi uma das causas da decadência da produção de café no Vale do Paraíba. Em 1889, com a queda do Império, a E.F. D.Pedro II passou a se chamar E.F.Central do Brasil, que, em 1890, incorporou a E.F. do Norte, com o propósito de alargar a bitola e unificá-las. Os trabalhos começaram em 1902 e terminaram somente em 1908. Em 1957 a Central foi incorporada pela RFFSA. O trecho entre Mogi e São José dos Campos foi abandonado no fim dos anos 80, pois a construção da variante do Parateí, mais ao norte, foi aos poucos provando ser mais eficiente. Em 31 de outubro de 1998, o transporte de passageiros entre o Rio e São Paulo foi desativado, com o fim do Trem de Prata, mesmo ano em que a MRS passou a ser a concessionária da linha. O transporte de subúrbios, existente desde os anos 20 no ramal, continua hoje entre o Brás e Estudantes, em Mogi.

A estação

A estação de Eugênio de Mello foi inaugurada em 1898. A original era de madeira, e, de acordo com o relatório da Central de 1925, nesse ano "a estação foi reconstruída em alvenaria", mesmo estando fora do trecho que foi retificado em São José dos Campos. O nome era uma homenagem a Eugênio Adriano Pereira de Cunha e Mello, diretor da Central de 1889 a 1891. Inativa há muitos anos, continua bem conservada junto ao bairro que se formou à sua volta. Até os anos 1990 o seu terminal de containeres era ainda utilizado pela fábrica da General Motors, próxima à estação.

O Jequitibá Vermelho (Rosa)

Um majestoso e imponente jequitibá-vermelho, com idade aproximada de 500 anos, pode ser visto na margem esquerda da Estrada Velha que liga o distrito de Eugênio de Melo (em São José) ao município de Caçapava (sentido S.José – Caçapava).

A árvore que se transformou em um dos símbolos da defesa do maio ambiente de São José, foi declarado imune de corte em 1993, e, para protegê-lo de vândalos, a Prefeitura construiu uma proteção especial para o mesmo.

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